segunda-feira, 16 de março de 2015

Manifestação antigoverno reúne milhares na orla de Copacabana

O ato antigoverno do Rio de Janeiro deste domingo (15) reuniu milhares de pessoas na orla de Copacabana. As duas pistas da Avenida Atlântica tiveram que ser interditadas por causa da quantidade de manifestantes. 
O Batalhão da Polícia Militar de Copacabana chegou a anunciar que 15 mil pessoas participavam do ato. Porém, à tarde, o comando da PM informou que aquela era uma estimativa inicial e que não haveria um número oficial. Já os líderes do Movimento Vem Pra Rua, um dos grupos responsáveis pelo protesto, disseram que foram 100 mil pessoas.
Não houve qualquer registro de confusão mais séria até o fim da manifestação, por volta das 13h: alguns pequenos desentendimentos aconteceram com pessoas que mostraram apoio ao governo e à Petrobras e foram vaiados.
Num dia nublado, as areias de Copacabana praticamente vazias contrastam com as pistas tomadas por manifestantes (Foto: Rodrigo Gorosito/ G1)Num dia nublado, as areias de Copacabana praticamente vazias contrastam com as pistas tomadas por manifestantes (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
O ato foi convocado pelas redes sociais, por grupos como o Vem Pra Rua. "Toda mobilização foi pela internet, Facebook. A militância do PT tentou invadir nossa página cinco vezes. Estou emocionado, surpreso. Esperava mil pessoas. Já falaram dez mil, mas não sei. Prefiro acreditar no que a polícia diz, cofio mais nela do que no IBGE, onde tem muita gente do PT", disse Dênis Abreu, do Vem Pra Rua.
O clima era pacífico: manifestantes exibiam camisas e bandeiras brasileiras, pintavam o rosto, apitavam, batiam panelas e cantavam. Pessoas de diferentes idades e famílias inteiras participavam do protesto. 
O público reunia manifestantes de diferentes idades e correntes ideológicas. Entre as faixas e cartazes mais frequentes estavam críticas a presidente Dilma Rousseff, pedidos para a saída do Partido dos Trabalhadores (PT) e da presidente do poder e pedidos pelo fim da corrupção.
"Estamos indignados. Falamos com um pouco de graça, mas sobre o que deixa todos os brasileiros estupefatos", diz Emilia Grossman, que veio com a filha, o marido e mais uma amiga do mesmo prédio onde mora em São Conrado, na Zona Sul do Rio. Eles exibiram cartazes com trocadilhos com críticas ao PT e ao governo.
A manifestação também reuniu pedidos isolados por intervenções militares, inclusive com cartazes e faixas.O motoboy Alex Andrade exibia uma camisa com esse pedido.
"Pelo o que a minha mãe me contou, era bem melhor. Não estou dizendo que vai ser o paraíso, o início vai ser difícil".
Manifestante participa de ato em Copacabana com o rosto pintado (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)Manifestante participa de ato em Copacabana com
o rosto pintado (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Questionado sobre as torturas, Alex respondeu que isto se limitaria a uma parte da população. "Isto aconteceria com os criminosos, eu acho. Não com as pessoas de bem", disse.
O pedido de intervenção militar é uma atitude ilegal e frontalmente contrária à Constitução. Em seu artigo 5º, a Constituição diz que "constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático".
Outros manifestantes, porém criticavam a suposta aproximação do governo com Cuba e pediam democracia.
De bicicleta, um apoiador do PT é hostilizado dirante protesto contra o governo de Dilma Rousseff em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro (Foto: Sergio Moraes/Reuters)De bicicleta, um apoiador do PT é hostilizado dirante protesto contra o governo de Dilma Rousseff em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro (Foto: Sergio Moraes/Reuters)
Ato na Candelária
No início da tarde, manifestantes começaram a se concentrar no Centro do Rio para um segundo protesto antigoverno no Rio. O público se reuniu na Candelária.
Os manifestantes exibiam várias faixas e cartazes a favor de uma intervenção militar. Um dos organizadores da manifestação foi o corretor de imóveis Luis Eduardo Oliveira, do movimento Resistência RJ. Ele afirma que é a favor do impeachment de Dilma num primeiro momento. "Se o impeachment não der jeito, vamos para a intervenção militar, afirma.
No início da noite, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto, em um pronunciamento seguido de entrevista coletiva, informaram que a presidente Dilma Rousseff anunciará "nos próximos dias" uma série de medidas de combate à corrupção e à impunidade. Durante a fala dos ministros, foram registrados panelaços em várias cidades do país. Veja nos vídeos acima.
Manifestantes no Centro do Rio, na Candelária. (Foto: Hernique Almeida/G1)

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