terça-feira, 27 de janeiro de 2015

‘Eles se esqueceram de pedir meu perdão’, diz a atriz Cissa Guimarães, em entrevista ao GLOBO


Depois de ouvir a sentença, você considera que a justiça foi feita?

Sim. A punição não traz meu filho de volta, mas ajuda a me sentir aliviada. Eu sofri muito e, como mãe, ainda carrego a dor de perder um filho. Para mim, é muito importante saber que haverá punição.

Você acha que este caso pode servir como exemplo?

Com certeza, sim. A morte do Rafael vai servir como um marco para não haver impunidade. A Justiça continuará sendo rigorosa e eu não creio que um pai, ao saber que o filho cometeu um crime, repita a postura de tentar corromper PMs para acobertar o caso e ocultar provas.

Segundo a lei, os envolvidos no crime podem conseguir um habeas corpus e sair da cadeia. O que acha disso?

Isso é a nossa lei. Eu, como cidadã, preciso aceitar. Eles devem entrar com um pedido de habeas corpus hoje (segunda-feira). Conseguindo, eles vão aguardar o recurso ser julgado fora da cadeia. Mas, honestamente, duvido que sairão impunes. Podem sair, mas vão voltar. Estou preparada para tudo e tenho fé que a justiça será feita.

O caso ganhou mais repercussão por você ser uma atriz famosa?

A sociedade está do meu lado porque acompanhou todo o meu sofrimento e o crime bárbaro que cometeram. Tanto o filho quanto o pai, envolvidos na morte do Rafael, já estão marginalizados na sociedade, por mais que busquem a liberdade na Justiça.

E como você está se sentindo quatro anos depois da morte de Rafael?

Jamais serei a mesma pessoa. Quem me vê pode pensar que estou feliz, mas, daqui pra frente, o máximo que conseguirei chegar será aos 80% de felicidade — 100%, nunca mais. Eu passei por um trauma, mas estou buscando a espiritualidade para seguir em frente.

Você os perdoa?

Ainda não totalmente. Estou buscando isso. É muito difícil, mas já melhorei muito. O que ainda me entristece é que ninguém da família dos acusados me procurou. Os envolvidos na morte do Rafael querem a liberdade na Justiça, mas se esqueceram de pedir o meu perdão. Nem a mãe do menino que atropelou meu filho tentou se aproximar. Seria mais fácil para mim perdoá-los, se tivessem me procurado.

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