terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O PDT de Brasília e o governo Rollemberg



George Michel e Rodrigo Rollemberg

Por: Walter Brito

O governador eleito do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), sabe que encontrará pela frente, uma das maiores crises administrativas da história de Brasília, quando assumir o comando do Buriti no dia 1º de janeiro de 2015. Para ajudá-lo a tocar o barco, cuja rota está sem rumo, o pessebista contará com o PDT de Leonel Brizola, que tem quadros importantes entre os seus 20 mil filiados. Sob o comando de George Michel, amigo e companheiro de exílio de Brizola em Portugal, o PDT do DF está de prontidão, aguardando o chamamento do governador eleito

Entrevistamos com exclusividade para o Diário da Manhã, o presidente do PDT no DF, Michel, que nos recebeu no gabinete da liderança do partido no Senado. O pedetista histórico, discorreu sobre a verve afiada do velho caudilho, Leonel Brizola; as virtudes que colocam Brizola como um grande estadista latino-americano e a relação ainda incipiente com o governador eleito, que teve o apoio do PDT.

Diário da Manhã: No dia 21 de junho, completaram-se 10 anos da morte de Leonel Brizola. Fale um pouco de sua convivência com o líder e criador do PDT?

George Michel: Convivi com Brizola por muitos anos, desde o exílio em Portugal. Depois que ele saiu do Brasil, na época da ditadura militar, ele passou pelo Uruguai, Estados Unidos da América e foi para Portugal. Quando ele chegou em Lisboa, eu era um dos exilados que estava no Aeroporto aguardando aquele homem, que reascendeu a esperança dos brasileiros exilados, que estavam sem rumo no exterior. Como líder nato, Brizola organizou a esquerda brasileira da Europa, quando passamos a participar ativamente de um movimento com a perspectiva de retorno ao Brasil. Amigo do primeiro-ministro português, Mário Soares, Brizola logo tornou-se membro da Internacional Socialista. Em 1979, sob a liderança de Leonel Brizola, foi realizado um grande evento, em Portugal, quando reunimos trabalhistas brasileiros e toda a esquerda exilada na Europa. Reerguemos o PTB e na ocasião foi escrito um documento intitulado: “A carta de Lisboa”. Na volta ao Brasil, por meio de articulação da ditadura, a Ivete Vargas nos tomou o PTB. A partir daí, criamos o PDT. Hoje o nosso partido é dirigido nacionalmente pelo Carlos Lupi.

DM: Brizola foi governador do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Fale sobre essa fase?

GM: Brizola foi o maior estadista do Brasil. Como governador do Rio Grande do Sul, ele saneou todo o Estado. Construiu a maior siderúrgica do país e, a maior refinaria de petróleo do Sul. Ele transformou o Rio Grande do Sul em referência da educação no país, num período da história em que os recursos financeiros eram escassos. E mais, a tecnologia ainda estava distante de nosso alcance. Mesmo assim, Brizola construiu 1.045 prédios escolares, com 3.360 salas de aula e capacidade para 235.200 alunos.

Sem dinheiro no caixa sequer para pagar os funcionários públicos, quem diria para levar adiante os projetos, como o plano da escolarização, Brizola fez como fizeram alguns países, inclusive o Brasil em 1942, em tempos de guerra: Lançou mão de Letras do Tesouro, as chamadas Brizoletas, emitidas com autorização da Lei 3.785, de 30 de julho de 1959, para pagamento de dívidas, inclusive salários atrasados dos servidores e captação de recursos no mercado financeiro. Brizola foi um revolucionário na educação, pois ele construiu, inclusive, mais de cinco mil escolas de madeira, entre 1959 e 1963.
Em 1962, pela primeira vez, Brizola foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara, com uma votação recorde - 269 mil votos (cerca de 1/3 dos votos válidos),a maior votação de um deputado federal até hoje no Brasil. Ele governou no Estado do Rio de Janeiro com a oposição dos poderosos da comunicação e do Governo Federal. Entretanto, deixou naquele estado a marca da educação por meio das escolas de tempo integral, ou seja, os famosos CIEPs.

DM: Brizola era um grande comunicador e tinha fama de convencer seus eleitores, por meio de sua verve afiada. Qual a sua opinião sobre isso?

GM: O Brizola era um grande orador. Poucos políticos no mundo conseguiram atrair o ouvinte ou telespectador como ele. Brizola tinha o dom de falar o que as pessoas queriam ouvir, por meio de um discurso dialético. Tudo o que ele falava, as pessoas conseguiam entender. Quando Brizola falava na televisão, as pessoas trocavam de canal para vê-lo e conhecerem suas ideias.

DM: Como está o PDT de Brasília?

GM: Talvez seja o partido mais importante da capital brasileira atualmente. Temos vinte mil filiados, três deputados distritais e dois senadores de peso no Congresso Nacional: Cristovam Buarque e Antônio Reguffe. Este, assumirá no dia 1º de fevereiro de 2015. Apesar disso, o governador Rollemberg ainda não definiu qual será o nosso papel no governo, mas estamos conversando. o PDT não está atrás de cargos. Nós queremos apenas ajudar o governo a tirar o Distrito Federal do buraco que está.

DM: O governador Rollemberg ainda não chamou os deputados, senadores e a direção do partido para uma reunião; onde serão decididos os caminhos e o apoio do partido de Brizola ao novo governo?

GM: Como eu já disse, nós estamos conversando e procurando o melhor caminho. O Rodrigo sabe da importância de nossos parlamentares e de nossos quadros e, certamente ele saberá avaliar a participação do PDT no seu governo.

DM: O Cristovam Buarque é uma das maiores referências da educação no Brasil. Ele já foi ouvido sobre a questão educacional?

GM: O Cristovam tem grande experiência na educação, já foi governador e é um dos mais importantes senadores do Brasil. Acredito que na hora certa o Cristovam e a direção do partido serão chamados.

Nós do PDT queremos avalizar o governo que ajudamos a eleger e acreditamos no bom senso do governador Rodrigo Rollemberg.

DM: E no plano nacional, o PDT deve continuar com o Ministério do Trabalho?

GM: Acredito que sim. O PDT tem tradição nesta área, pois somos um partido trabalhista. João Goulart, foi o grande ministro do trabalho da pasta criada por Getúlio Vargas.

DM: Como o senhor vê a situação difícil por que passa o Governo Federal?
GM: Me preocupo muito com o governo da presidenta Dilma. Tenho a convicção que se trata de uma mulher honesta e competente. Inclusive, ela já pertenceu ao PDT e foi secretária do governador Alceu Collares no Rio Grande do Sul. Contudo, ela está tendo muitos problemas com as alianças que fez. Acho que ela vai precisar de fazer uma limpeza geral.

DM: E a nova equipe econômica já decidida pela presidenta Dilma, como o senhor avalia?


GM: É muito boa. Nesse quesito, aproveito a oportunidade para parabenizá-la. É tudo que Aécio queria, se fosse o presidente. Ele divulgou na sua campanha, uma equipe econômica com o mesmo perfil de Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini. Acho que o Aécio deveria diminuir as críticas e tirar o chapéu para a nova equipe econômica de Dilma Rousseff. Acredito que ela colocará o país novamente nos trilhos do desenvolvimento.

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